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sábado, 12 de janeiro de 2008

Eu vejo gente morta! – nos seriados e na vida real

[Daniel Lüdtke]
Conversar com os mortos e ajudá-los a solucionar negócios pendentes que os prendem ao plano terrestre são as principais tarefas de Melinda, personagem do seriado “Ghost Whisperer”, protagonizado por Jennifer Love-Hewitt. Em entrevista à imprensa, Jennifer afirmou que “descobriu que possui um ‘pequeno dom’ mediúnico”, como publicou O Estado de S. Paulo, no suplemento “TV & Lazer”, em 6 de janeiro.

O drama sobrenatural do seriado, exibido pela Sony, estreou em setembro de 2005 e hoje está na terceira temporada; já foi visto por 11,4 milhões de telespectadores nos Estados Unidos e domina audiência do horário. Na entrevista divulgada pelo Estadão essa semana, a atriz e cantora Jennifer Love-Hewitt conta como recebeu o tal “pequeno dom”. Leia a entrevista na seqüência:

'Recebi convites para ir a vários velórios'

LOS ANGELES - Jennifer Love-Hewitt é aquele tipo de atriz que acredita que pode ser seu personagem. Quando interpretou Audrey Hepburn em um telefilme, Jennifer passou a se vestir apenas com figurino dos anos 50. Agora, com a Melinda Gordon em Ghost Whisperer (Sony, quintas, 22h), a atriz descobriu que possui um "pequeno dom" mediúnico. No set da série, a atriz falou à imprensa internacional sobre essas experiências sobrenaturais.


Na última vez que conversamos, você disse que havia vivido algumas experiências sobrenaturais. Esses eventos continuam?

Sim. Sempre acontece algo aqui e ali, mas nada assustador. Apenas algumas coisinhas...

Quais coisinhas?Qual foi a última coisa que aconteceu?

Ah, estávamos filmando em uma rua atrás do set e havia umas sete ou oito pessoas da equipe. De repente começamos a sentir alguém puxando nossas roupas. Não sabemos como explicar o que aconteceu.

Você sente que tem um dom?

Tive experiências, mas isso não é algo em que eu queira me aprofundar. As experiências me provaram que, além de Melinda e do meu trabalho, o que estamos fazendo aqui é especial e que pessoas como James Van Praagh (médium e inspirador da série) possuem um dom apurado. Não sei se existem pessoas como as que Melinda vê, mas acredito que elas deixam uma energia para nos dizer algo.

Como isso afeta você?

Adoro. Pego todos os lados bons do trabalho de Melinda e nada do lado ruim. Não preciso ficar acordada até tarde trabalhando, como ela. Mas existem aspectos da vida dela que adoraria ter. Por exemplo, falar com fantasmas. Acho que seria incrível ter essa experiência ao menos uma vez.

Com qual fantasma você gostaria de conversar?

Com qualquer um, mas não com os assustadores... Infelizmente, meu dom é diferente. É um pequeno dom que me permite viver através do dom de Melinda. E agradeço por todos os dias em que sigo a jornada dela, pois é fascinante.

Você já se consultou com James Van Praagh?

Já, algumas vezes. Pude falar com Alan, um amigo meu que morreu há muito
tempo e que foi um tipo de mentor para mim. Soube que era ele, porque houve coisas específicas que ele me disse. E também falei com minha avó. Foi muito legal. Foi interessante vê-lo em ação. Todos têm um dom e o dele é único e é ótimo fazer parte disso.

Foi assustador?

Não. Achei muito interessante. Quer dizer, tenho certeza de que, se eu chegasse à noite em casa e houvesse um fantasma na minha sala, minha resposta seriadiferente. Seria: "Nunca mais quero ver um fantasma! Foi muito assustador e obrigada por perguntar (risos)." Mas não. Foi maravilhoso.

Como o papel de Melinda afetou sua vida?

No primeiro ano da série, fui convidada para vários velórios (risos)! Esperei minha vida toda para ser convidada para eventos, mas não desse tipo! Foi estranho. Há pessoas que não falam nada, mas andam na minha direção e me olham estranho. Aí penso que tenho duas opções. Posso assustá-las e dizer algo como: "Ok, sua avó está aqui". Ou posso falar: "Tudo bem, você está limpa." E deixá-las voltarem às suas vidas sem saber se há ou não um fantasma em seus cangotes.

Na web, a seção “Seriados etc”, de globo.com, apresenta notícias sobre “Ghost Whisperer”, e informa que a atriz principal, Jennifer, “perdeu o medo da morte depois de virar Melinda” e passou a entender o estado do homem na morte. "Eu não conseguia nem imaginar que isso poderia acontecer com alguma pessoa querida ou comigo mesma, mas aprendi com a Melinda que a morte não é o fim de tudo", garantiu a atriz.

Na mesma página, no link “mais notícias”, estampa-se a chamada: “VEJO PESSOAS MORTAS - Melinda Gordon não é a única em linha direta com o além. Conheça os outros”. O link leva a outra página com casos paranormais em outros seriados. Veja abaixo.

01. SUPERNATURAL - A cena geralmente é a mesma: faz frio, começa uma música macabra e BUUU... Lá vêm os fantasmas para mandar o recado. É com o objetivo de calar essas almas de outro mundo que os irmãos Winchester percorrem os EUA se arriscando.

02. GHOST WHISPERER - Desde criança, Melinda tem o dom de se comunicar com os mortos para ajudá-los a resolver as pendências da vida anterior. Ela deve conviver com mais pessoas mortas do que com as vivas.

03. MEDIUM - Alisson se comunica tão bem com os espíritos, que usa sua mediunidade para solucionar crimes. Nada de DNA ou impressões digitais; basta ouvir as dicas do outro lado. Grissom ficaria com inveja.

04. LOST - A proposta da série não é bem se comunicar com o mundo espiritual - se bem que a gente nunca pode afirmar nada sobre LOST. Mas o pai do Jack, por exemplo, ficou aparecendo por um tempão e não largava do pé do filho.

05. COLD CASE - Já reparou que sempre que Lilly Rush ou Kat Miller resolvem um caso, as vítimas voltam de alguma maneira para agradecer? Geralmente, elas aparecem na sala de arquivos e dão um sorrisinho de obrigado. Descansem em paz!

No Brasil, “Ghost Whisperer” também ganhou seus fãs. Sônia Viana, por exemplo, que mora em Santo André (SP), postou seu comentário no mural da página de “Seriados etc”: “Adoro essa série. Ela é a que mais se aproxima da realidade espiritual”.

E não são apenas Sônia e a atriz Jennifer as influenciadas por esse tipo de mensagem espiritualista. Contraditoriamente, a mídia enfatiza a evolução, enaltece a Igreja Católica (ver Mídia catequizada e Igreja em alta) e dissemina os conceitos sobrenaturais do Espiritismo – fazendo proselitismo de temas como vida após a morte, reencarnação e experiências místicas. Ela, todavia, nega-se a abrir espaço para os princípios e filosofias enraizados na Bíblia.

O texto de Eclesiastes 9:5-6 é enfático: “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa e já não se tem lembrança deles. Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada do que acontece debaixo do sol”. Outras passagens como 1 Tessalonicenses 4:14 falam da morte como um “sono” e, como em 1 Timóteo 6:16, apontam para Jesus Cristo como o “único que possui imortalidade”.

Na Bíblia, a vida de um indivíduo é formada por uma soma indivisível de corpo (pó da terra) e espírito (fôlego de vida), como apresentado em Gênesis 2:7. Nenhum dos dois vive separadamente . Assim, por ocasião da morte, qualquer forma de vida ou consciência da pessoa deixa de existir: “e o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o Deus” (Eclesiaste 12:7).

Dessa forma, a Bíblia proíbe a consulta aos mortos ou práticas semelhantes. Em Deuteronômio 18:9-14, os israelitas são advertidos quanto às práticas pagãs de consulta aos mortos: "Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará (...) nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR”.

Assim, as aparições que acontecem de indivíduos já falecidos (como no caso de Saul que viu a Samuel, segundo a narrativa de 1 Samuel 18), são manifestações demoníacas, “porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios 11:14) e pode tomar qualquer outra forma corpórea. Por isso Deus abomina a prática de contato com os “mortos” – demônios, na verdade.

Mas a doutrina bíblica do estado do homem na morte não é menos esperançosa que a de Jennifer, que descobriu que “a morte não é o fim de tudo”. Ao invés de perambular pela terra ou por outros planos, a Bíblia afirma que os que morreram crendo em Cristo despertarão de seu sono e o verão face a face. “Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida”, assegura a passagem de João 5:28 e 29.

Enquanto as pessoas não estudam a Bíblia, a mídia as confunde com a enxurrada de filosofias fantasiosas e maléficas. “Ghost Whisperer” é só mais um dos tantos sucessos de TV que são baseados em espiritualismo. Jennifer Love-Hewitt pode achar que essas experiências místicas não são problema– “apenas algumas coisinhas” –, mas na realidade, fazem parte de um plano de engano que já parece ser o “que mais se aproxima da realidade espiritual”. Afinal, aparece na TV!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Kaká, virgindade e mídia

[Daniel Lüdtke]

A declaração de Kaká sobre sua virgindade até o casamento foi destaque na mídia mundial. O meia do Milan e da Seleção Brasileira, foi capa da edição italiana da revista Vanity fair, e falou de seus princípios bíblicos sobre o sexo. A revista chegou às bancas européias em 6 de junho e gerou discussões sobre castidade entre os solteiros.

"Optamos por chegar castos ao casamento. A Bíblia ensina que o amor verdadeiro é alcançado apenas com o casamento, um laço de sangue no qual a mulher perde a virgindade. Para nós, a primeira noite foi magnífica", comentou Kaká, 25, que casou com Caroline Celico em 23 de dezembro de 2005.

Logo após a publicação da revista, o assunto de virgindade veio à tona. A tribuna, por exemplo, jornal do litoral paulista, publicou em 12 de junho uma pesquisa entre jovens solteiros e constatou que 69,8% deles não considera a virgindade importante. A partir daí o doutor em teologia e autor do livro “Teologia e ética do sexo para solteiros”, Natanael Moraes, ressalta o diferencial do comportamento do jogador. “Kaká não teve medo nem vergonha de assumir uma posição bíblica de abstinência sexual pré-marital. Isso foi muito positivo”, assegurou Moraes.

Importância dos valores

Nota-se que, na maioria dos casos, a virgindade antes do casamento relaciona-se a princípios de vida cristãos. "Sou um jovem normal com valores fortes. Sou religioso, seguindo a confissão evangélica, e tento viver seguindo os preceitos da Bíblia", declarou Kaká.

Em 1995, por exemplo, 251 mil jovens americanos participavam da Campanha Nacional Pró-Abstinência, iniciada pela Igreja Batista do Sul. Nesta campanha os membros assinavam o compromisso de não manter relações sexuais até o casamento. Dentre as denominações que uniram-se ao movimento, estavam as igrejas Adventista do Sétimo Dia, Assembléia de Deus e Igreja Pentecostal de Deus.

Todavia, embora os evangélicos estejam com a maior porcentagem de jovens que chegam virgens ao casamento, o número tem caído nos últimos anos.

De acordo com pesquisa publicada pela revista Eclésia, em setembro de 2002, 52% dos jovens evangélicos já teve relações sexuais antes do casamento. Destes, metade tem vida sexual ativa e a idade média da perda da virgindade é de 14 anos para os rapazes e 16 para as moças.

Influência da mídia

Jorge Rios (nome fictício), 26, nasceu num lar cristão e nunca se afastou de sua igreja. Rios, todavia, praticou sexo pré-marital ainda na adolescência. “Eu me arrependo do que fiz. Foram experiências traumáticas. Acredito que o sexo deve ser feito dentro do casamento, onde há uma preparação mental e direcionamento para aquilo. É só no casamento que o sexo é seguro”, relatou Rios. Segundo Jorge Rios, a decisão do fazer sexo é unicamente do jovem. Entretanto, a mídia tem um papel muito grande na formação do caráter. “Eu fiz sexo por que quis”, argumentou Rios. “Mas fui muito influenciado por filmes pornôs e outras informações de apelo sexual da mídia. Essas coisas ficam na nossa cabeça, e o que a gente tem na nossa cabeça é o que a gente faz; isso é o que controla nossas atitudes”, completou.

O jornalista Michelson Borges confirma a participação da mídia no desincentivo à virgindade pré-marital. “A mídia contribui para a formação do pensamento ‘se todo mundo está fazendo, por que não eu?’. Mas quase nunca divulga as conseqüências da exposição exagerada aos conteúdos de cunho sexual”, garante Borges.

“E qual é o contexto ideal para se ter a primeira relação sexual, com a sensação de ser amado e respeitado?”, pergunta Borges. “Certamente não é nos relacionamentos do tipo apresentado na mídia popular, em geral, em que o ser humano é visto como mero objeto de prazer, muitas vezes descartável. O melhor contexto para uma relação estável, fundada em amor e respeito e, sobretudo, abençoada por Deus continua sendo o do casamento”, conclui.

Mudança de paradigmas

Em Teologia e ética do sexo para solteiros, Moraes fala que foi na Revolução Francesa que o sexo pré e extra-marital se popularizou. Foi neste tempo que Deus foi declarado mito, e elegeu-se a razão como deus e norma de conduta. “O processo descristianizador da Revolução Francesa contestou o rígido controle da vida sexual dos fiéis, por tanto tempo exercido pela Igreja Católica. De modo que, além das mudanças políticas, religiosas e sociais, também fomentou uma mudança radical na ética sexual, especialmente as relações pré-maritais”, afirmou Moraes.

“Do ponto de vista puritano do sexo como um mal necessário para a procriação, chegamos à concepção popular do sexo como algo necessário para recreação”, ironizou Samuele Bacchiocchi em seu livro The Marriage Covenant. “Numa época em que a permissividade e a promiscuidade sexuais prevalecem, é imperativo para nós cristãos reafirmarmos nosso compromisso com o ponto de vista bíblico acerca do sexo como uma dádiva divina para ser desfrutada somente dentro do casamento”, completou.

De acordo com Natanael Moraes, se o sexo continuasse sendo praticado somente dentro do casamento, como orientava a Igreja, existiriam menos problemas de saúde, emocionais, sociais e, principalmente, espirituais. “Por isso parabenizo o exemplo de pessoas como o Kaká. Se ele, que é famoso, prestes a se tornar o melhor jogador do mundo, se absteve do sexo antes do casamento, os jovens não deveriam se envergonhar em ter a mesma atitude”, destacou Moraes.
O próprio Kaká não disse que foi fácil permanecer virgem. "É evidente que não foi fácil, sou um jovem normal. Não foi fácil chegar ao matrimônio sem ter estado com uma mulher. Se hoje nossa vida é tão bela, é porque soubemos esperar", concluiu.