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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Kaká, virgindade e mídia

[Daniel Lüdtke]

A declaração de Kaká sobre sua virgindade até o casamento foi destaque na mídia mundial. O meia do Milan e da Seleção Brasileira, foi capa da edição italiana da revista Vanity fair, e falou de seus princípios bíblicos sobre o sexo. A revista chegou às bancas européias em 6 de junho e gerou discussões sobre castidade entre os solteiros.

"Optamos por chegar castos ao casamento. A Bíblia ensina que o amor verdadeiro é alcançado apenas com o casamento, um laço de sangue no qual a mulher perde a virgindade. Para nós, a primeira noite foi magnífica", comentou Kaká, 25, que casou com Caroline Celico em 23 de dezembro de 2005.

Logo após a publicação da revista, o assunto de virgindade veio à tona. A tribuna, por exemplo, jornal do litoral paulista, publicou em 12 de junho uma pesquisa entre jovens solteiros e constatou que 69,8% deles não considera a virgindade importante. A partir daí o doutor em teologia e autor do livro “Teologia e ética do sexo para solteiros”, Natanael Moraes, ressalta o diferencial do comportamento do jogador. “Kaká não teve medo nem vergonha de assumir uma posição bíblica de abstinência sexual pré-marital. Isso foi muito positivo”, assegurou Moraes.

Importância dos valores

Nota-se que, na maioria dos casos, a virgindade antes do casamento relaciona-se a princípios de vida cristãos. "Sou um jovem normal com valores fortes. Sou religioso, seguindo a confissão evangélica, e tento viver seguindo os preceitos da Bíblia", declarou Kaká.

Em 1995, por exemplo, 251 mil jovens americanos participavam da Campanha Nacional Pró-Abstinência, iniciada pela Igreja Batista do Sul. Nesta campanha os membros assinavam o compromisso de não manter relações sexuais até o casamento. Dentre as denominações que uniram-se ao movimento, estavam as igrejas Adventista do Sétimo Dia, Assembléia de Deus e Igreja Pentecostal de Deus.

Todavia, embora os evangélicos estejam com a maior porcentagem de jovens que chegam virgens ao casamento, o número tem caído nos últimos anos.

De acordo com pesquisa publicada pela revista Eclésia, em setembro de 2002, 52% dos jovens evangélicos já teve relações sexuais antes do casamento. Destes, metade tem vida sexual ativa e a idade média da perda da virgindade é de 14 anos para os rapazes e 16 para as moças.

Influência da mídia

Jorge Rios (nome fictício), 26, nasceu num lar cristão e nunca se afastou de sua igreja. Rios, todavia, praticou sexo pré-marital ainda na adolescência. “Eu me arrependo do que fiz. Foram experiências traumáticas. Acredito que o sexo deve ser feito dentro do casamento, onde há uma preparação mental e direcionamento para aquilo. É só no casamento que o sexo é seguro”, relatou Rios. Segundo Jorge Rios, a decisão do fazer sexo é unicamente do jovem. Entretanto, a mídia tem um papel muito grande na formação do caráter. “Eu fiz sexo por que quis”, argumentou Rios. “Mas fui muito influenciado por filmes pornôs e outras informações de apelo sexual da mídia. Essas coisas ficam na nossa cabeça, e o que a gente tem na nossa cabeça é o que a gente faz; isso é o que controla nossas atitudes”, completou.

O jornalista Michelson Borges confirma a participação da mídia no desincentivo à virgindade pré-marital. “A mídia contribui para a formação do pensamento ‘se todo mundo está fazendo, por que não eu?’. Mas quase nunca divulga as conseqüências da exposição exagerada aos conteúdos de cunho sexual”, garante Borges.

“E qual é o contexto ideal para se ter a primeira relação sexual, com a sensação de ser amado e respeitado?”, pergunta Borges. “Certamente não é nos relacionamentos do tipo apresentado na mídia popular, em geral, em que o ser humano é visto como mero objeto de prazer, muitas vezes descartável. O melhor contexto para uma relação estável, fundada em amor e respeito e, sobretudo, abençoada por Deus continua sendo o do casamento”, conclui.

Mudança de paradigmas

Em Teologia e ética do sexo para solteiros, Moraes fala que foi na Revolução Francesa que o sexo pré e extra-marital se popularizou. Foi neste tempo que Deus foi declarado mito, e elegeu-se a razão como deus e norma de conduta. “O processo descristianizador da Revolução Francesa contestou o rígido controle da vida sexual dos fiéis, por tanto tempo exercido pela Igreja Católica. De modo que, além das mudanças políticas, religiosas e sociais, também fomentou uma mudança radical na ética sexual, especialmente as relações pré-maritais”, afirmou Moraes.

“Do ponto de vista puritano do sexo como um mal necessário para a procriação, chegamos à concepção popular do sexo como algo necessário para recreação”, ironizou Samuele Bacchiocchi em seu livro The Marriage Covenant. “Numa época em que a permissividade e a promiscuidade sexuais prevalecem, é imperativo para nós cristãos reafirmarmos nosso compromisso com o ponto de vista bíblico acerca do sexo como uma dádiva divina para ser desfrutada somente dentro do casamento”, completou.

De acordo com Natanael Moraes, se o sexo continuasse sendo praticado somente dentro do casamento, como orientava a Igreja, existiriam menos problemas de saúde, emocionais, sociais e, principalmente, espirituais. “Por isso parabenizo o exemplo de pessoas como o Kaká. Se ele, que é famoso, prestes a se tornar o melhor jogador do mundo, se absteve do sexo antes do casamento, os jovens não deveriam se envergonhar em ter a mesma atitude”, destacou Moraes.
O próprio Kaká não disse que foi fácil permanecer virgem. "É evidente que não foi fácil, sou um jovem normal. Não foi fácil chegar ao matrimônio sem ter estado com uma mulher. Se hoje nossa vida é tão bela, é porque soubemos esperar", concluiu.